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Havia uma tradição antiga entre armeiros: tratar armas como extensões vivas de seus donos. Samurais nomeavam suas katanas. Cavaleiros batizavam suas espadas. Vikings acreditavam que o espírito do guerreiro habitava sua lança. O 2Minds Studio pegou essa tradição e a inverteu: e se a arma tivesse sua própria personalidade, independente de quem a empunha?
A resposta chegou em 31 de março de 2020, dentro da Prisma 2 Case. Uma garota de jaqueta rosa, olhos azuis e coroa dourada. Ao seu redor, balas com rostos furiosos. E um flavor text que resume tudo em sete palavras: "I'll stop shooting when you start shushing."
A Bullet Queen não é uma skin. É uma declaração de atitude.
Antes da Bullet Queen, o 2Minds já era conhecido pela série Tarot, com a AK-47 The Empress, a AWP Mortis e a M4A4 The Emperor estabelecendo o estúdio como referência em simbolismo esotérico. Mas enquanto o Tarot explorava arquétipos ancestrais, a coleção War Maidens seguiu um caminho diferente.
O conceito é direto: cada Donzela de Guerra é o avatar da arma que ocupa. Não uma ilustração decorativa, mas a personificação do equipamento. A Glock-18 ganhou uma rainha adolescente, petulante e armada com um exército de projéteis sencientes. O contraste com as cartas de Tarot não poderia ser maior: sai a mística milenar, entra a energia crua de quadrinhos pop.
Luiza McAllister e Thiago Lehmann, os brasileiros por trás do 2Minds, explicaram o conceito em materiais do Workshop: as War Maidens são as armas que você conhece, manifestadas em forma humana. Cada uma reflete a essência de seu equipamento. A Glock-18, primeira pistola dos Terroristas, ganhou uma personalidade à altura: jovem, impulsiva, impossível de ignorar.
O design da Bullet Queen ocupa cada superfície da Glock-18 com intenção precisa.
A empunhadura exibe a protagonista: uma garota de cabelos loiros presos em dois coques, olhos azuis, piscando com o olho esquerdo enquanto leva o indicador aos lábios. O gesto é um silêncio ameaçador: fique quieto ou leve tiros. Acima de sua cabeça, uma coroa dourada flutua, identificando sua posição hierárquica entre as balas que a cercam.
O corpo da arma explode em amarelo vibrante e preto sólido. Estrelas de cinco pontas se espalham como confetes em uma festa violenta. E então vêm os Bullet Boys.
Sessenta e cinco projéteis únicos povoam o padrão da Bullet Queen. Cada bala tem sua própria expressão facial: algumas furiosas, outras sorrindo maldosamente, algumas aparentemente chocadas com o que estão prestes a fazer. O 2Minds escondeu um projétil dourado em algum lugar do design, um easter egg para jogadores atentos.
A descrição oficial do Workshop chama esses personagens de "Bullet Boys", e afirma que eles existem há muito tempo, ajudando jogadores a encontrar seus alvos. A frase carrega uma ironia deliciosa: projéteis como guias turísticos do combate, apontando educadamente para onde você deveria atirar.
O estilo é deliberadamente cartunesco. Traços grossos, cores saturadas, expressões exageradas. É a estética de comic books americanos dos anos 60 colidindo com o universo de jogos de tiro táticos. O resultado não deveria funcionar, mas funciona.
Há uma discrepância curiosa nas descrições da Bullet Queen. A descrição oficial in-game menciona uma "War Maiden in a pink jacket". Outras fontes descrevem uma "jaqueta vermelha". A verdade depende do ângulo e da iluminação: tons de rosa quente que podem parecer vermelhos em certas condições.
Essa ambiguidade não é acidental. O 2Minds trabalha com paletas que se comportam diferentemente sob luzes variadas. A mesma técnica aparece na M4A4 Tooth Fairy, onde vermelhos sujos e verdes desbotados criam uma atmosfera que muda conforme o mapa.
A escolha de uma jaqueta colorida para a Bullet Queen também carrega significado narrativo. Enquanto as cartas de Tarot vestem seus personagens em trajes cerimoniais e armaduras simbólicas, a War Maiden usa roupa casual. Ela não precisa de formalidade. Sua coroa já diz quem manda.
A Prisma 2 Case chegou com o update "Clearing Out the Cobwebs" em 31 de março de 2020. O timing era peculiar: o mundo estava entrando no primeiro mês completo de lockdowns globais por COVID-19. Milhões de jogadores estavam presos em casa, e a Valve oferecia dezessete skins novas para distraí-los.
Entre as companheiras de caixa da Bullet Queen estavam a M4A1-S Player Two e a AK-47 Phantom Disruptor. Mas a Glock roubou os holofotes. Com raridade Covert e uma chance de drop estimada em 0,64%, ela se tornou o item mais cobiçado da caixa.
A MAG-7 Justice também veio na Prisma 2, trazendo mais uma peça da coleção Tarot do 2Minds para o jogo. Ver a Bullet Queen e a Justice na mesma caixa é testemunhar dois lados do mesmo estúdio: o misticismo milenar e a irreverência pop, coexistindo.
Quando a Bullet Queen foi adicionada ao jogo, o 2Minds Studio estava prestes a completar uma década de existência. Luiza McAllister e Thiago Lehmann se conheceram na escola, mas só começaram a colaborar anos depois, quando se reencontraram online já na faculdade. O nome "2Minds" reflete essa dinâmica: duas mentes criativas que desenvolveram um fluxo de trabalho tão integrado que hoje ambos fazem tudo, do esboço à finalização.
O estúdio entrou no mundo das skins em 2017, com a AK-47 The Empress. Desde então, produziram algumas das skins mais reconhecíveis do CS2: além da série Tarot, há a AWP Desert Hydra, a MAC-10 Stalker e a própria Tooth Fairy.
Em entrevistas, Thiago se descreve como co-criador da coleção Tarot e da Desert Hydra. Luiza menciona a AWP como sua arma favorita para ilustrar, pelo espaço generoso. Mas a Glock-18 Bullet Queen prova que limitações de espaço não são problema quando o design é forte o suficiente.
Com 99% de popularidade nas métricas de mercado, a Glock-18 Bullet Queen é uma das skins mais desejadas do CS2. O número não surpreende. Pistolas são vistas em todas as rounds, seja no econômico, no pistol round, ou como backup quando o rifle fica sem balas. Uma skin de pistola bem desenhada aparece constantemente.
O float da Bullet Queen varia de 0.00 a 1.00, permitindo todos os estados de conservação. Em Factory New, pequenas abrasões já aparecem no corpo da arma. Em Battle-Scarred, a skin escurece consideravelmente, mas os Bullet Boys mantêm suas expressões intactas. A rainha envelhece; seus servos permanecem leais.
A versão StatTrak adiciona um contador de mortes ao design, embora o posicionamento compita com elementos visuais. É um compromisso: jogadores precisam decidir se querem rastrear suas kills ou preservar a integridade artística do padrão.
A Bullet Queen representa uma filosofia de design distinta dentro do portfólio do 2Minds. Enquanto a série Tarot mergulha em simbolismo milenar e referências esotéricas, as War Maidens são imediatamente acessíveis. Não é preciso conhecer os Arcanos Maiores para entender o que a skin comunica. Basta olhar.
Uma garota de coroa manda calar a boca enquanto balas raivosas esperam ordens. O flavor text ameaça continuar atirando até ouvir silêncio. As cores gritam em amarelo e preto, impossíveis de ignorar. E tudo isso em uma Glock-18, a primeira arma que terroristas seguram em qualquer partida.
Há uma irreverência proposital aqui. A AK-47 The Empress pede que você contemple significados ocultos. A AWP Mortis convida reflexão sobre transformação e fim. A Bullet Queen não pede nada. Ela exige atenção e ameaça consequências para quem não prestar.
A Glock-18 Bullet Queen é o que acontece quando artistas brasileiros decidem dar vida própria a uma arma. Não simbolismo. Não alegoria. Personalidade crua, condensada em preto, amarelo e sessenta e cinco projéteis com problemas de raiva.
O 2Minds Studio provou com a série Tarot que domina referências históricas e esotéricas. Com a Bullet Queen, provaram que também sabem fazer pop. A garota de coroa e jaqueta rosa não carrega o peso de séculos de tradição mística. Ela carrega uma Glock-18 e uma atitude que não admite interrupções.
Em um jogo onde comunicação é tática, onde callouts salvam rounds e silêncio pode significar emboscada, o flavor text da Bullet Queen é uma declaração de guerra: "I'll stop shooting when you start shushing."
A rainha mandou calar a boca. Os Bullet Boys estão esperando.
