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Existe um tipo específico de design que a maioria das pessoas ignora até precisar dele. Etiquetas de advertência em produtos químicos. Códigos de barras em embalagens farmacêuticas. Avisos de "não operar máquinas pesadas". A tipografia não é bonita — é funcional. Existe para informar, advertir, e às vezes ameaçar.
Supremat, um designer do Workshop do Steam especializado em tipografia customizada, olhou para esse universo de informação técnica e viu algo mais: um bilhete. Não qualquer bilhete — um passe de ida para o lugar de onde ninguém volta.
A USP-S Ticket to Hell transforma a pistola silenciada em documentação oficial para o inferno.
O corpo da arma é inteiramente preto. Sobre ele, textos brancos se organizam como informações de embarque num cartão de passagem aérea distorcido. Mas os detalhes revelam que esse não é um voo comercial.
No silenciador, as palavras "Dead Silence" aparecem ao lado de "Please be quiet" — um lembrete irônico de que a USP-S silenciada é praticamente inaudível. Códigos de barras pontuam a superfície, dando à arma a aparência de um produto industrial esperando para ser escaneado e despachado.
O slide carrega o nome que define tudo: "Ticket to Hell". Ao lado, presas afiadas emergem de uma boca aberta — a única ilustração tradicional num mar de tipografia técnica. É o destino do passageiro tornando-se visível.
O detalhe mais curioso está posicionado abaixo da mira frontal: um QR code.
Supremat não colocou um padrão aleatório de pixels para parecer tecnológico. O código realmente funciona. Ao escaneá-lo — algo que jogadores curiosos descobriram rapidamente — você é direcionado para a página do Workshop do criador.
É uma assinatura digital escondida à vista de todos. Enquanto outros designers colocam seus nomes em cantos discretos, Supremat transformou sua autoria em parte funcional do design. O QR code não é decoração — é portal.
"O QR code leva à minha página no Workshop", confirmou o designer. "O resto dos códigos de barras são gerados aleatoriamente."
Em julho de 2021, a Valve anunciou algo sem precedentes: um concurso de design de skins com prêmio de um milhão de dólares. O tema? "Dreams and Nightmares" — sonhos e pesadelos.
O prazo foi de 22 de julho a 21 de outubro, estrategicamente posicionado para culminar próximo ao Halloween. Mais de 15.000 designs foram submetidos. Artistas do mundo inteiro tentaram traduzir o etéreo — experiências oníricas e terror noturno — para a superfície de armas virtuais.
O que a Valve recebeu excedeu as expectativas. Em vez de selecionar 10 vencedores conforme planejado, expandiram para 17 designs, elevando o prêmio total para 1,7 milhão de dólares. Cada skin aceita rendeu 100 mil dólares ao seu criador.
A USP-S Ticket to Hell estava entre elas.
O concurso revelou uma estatística surpreendente: dos 24 artistas cujos trabalhos foram selecionados, 14 eram contribuintes de primeira viagem. Nunca haviam tido uma skin aceita no jogo.
Entre os veteranos, nomes já conhecidos como Druida e Sparkwire contribuíram com a FAMAS Nightmare. Entre os novatos, TheDanidem criou a MP-9 Starlight Protector. E Supremat, com sua obsessão por tipografia customizada, provou que design técnico também podia ser um pesadelo.
A abordagem era radicalmente diferente do resto da coleção. Enquanto a maioria interpretou "pesadelo" com criaturas orgânicas e cenários surreais, Supremat foi na direção oposta: a frieza industrial, a documentação burocrática de uma viagem que termina mal.
Supremat não compra fontes. Ele as cria.
"Todas as fontes e tipografia são criadas do zero e me pertencem", declara repetidamente em suas submissões ao Workshop. As fontes que aparecem na Ticket to Hell — incluindo a Benzin e a Weimar — são criações originais.
É uma filosofia que permeia todo o portfólio do designer. Com 26 entradas no Workshop e 224 seguidores, Supremat construiu uma identidade visual reconhecível: design utilitário, informação técnica, tipografia customizada. Cada arma parece um documento industrial que ganhou vida letal.
"Decidi fazer um design na forma de um bilhete misturado com design técnico", explicou sobre a Ticket to Hell. A inspiração veio de etiquetas industriais e informações técnicas de produtos — o tipo de texto que as pessoas leem às pressas antes de operar algo perigoso.
A expressão "ticket to hell" (ou "one-way ticket to hell") existe na língua inglesa há gerações. Significa uma ação ou comportamento que garantidamente levará a consequências terríveis — seja danação literal para os religiosos, ou ruína figurativa para os céticos.
É o oposto de um bilhete de volta. Uma vez embarcado, não há retorno.
O flavor text oficial da skin resume a filosofia em duas palavras: "Designer death." Morte projetada. Morte com design. É um jogo de palavras que funciona em múltiplos níveis: a morte foi "desenhada" visualmente, mas também foi "planejada" — não é acidente, é destino.
Para uma pistola de pistol round — onde cada tiro pode decidir a economia das próximas rodadas — o nome é declaração de intenções. Você não está atirando para ferir. Está carimbando passagens.
A caixa que abriga a Ticket to Hell chegou em 20 de janeiro de 2022, após meses de antecipação. A comunidade já conhecia os designs vencedores desde novembro de 2021, mas precisou esperar para finalmente obtê-los no jogo.
A Dreams and Nightmares Case se tornou a segunda caixa de concurso da história do Counter-Strike, depois da CS20 Case de 2019 que celebrou os 20 anos da franquia. Ambas compartilham uma característica visual: gradientes de cores únicos que as distinguem das caixas de comunidade amarelas tradicionais.
Das 17 skins, a Ticket to Hell ocupa o tier Restricted — o segundo mais raro entre as skins comuns, com aproximadamente 16% de chance de drop. Não é a mais rara da caixa, mas também não é acessível a todos.
A Ticket to Hell não está sozinha na coleção. Outras USP-S competem pela atenção dos jogadores que buscam pistolas com personalidade.
A USP-S Kill Confirmed oferece brutalidade visual — um crânio explodindo em tempo real. A USP-S Printstream aposta no minimalismo geométrico em preto e branco. A USP-S Neo-Noir transporta o jogador para um filme noir dos anos 40.
A Ticket to Hell ocupa um espaço único: é minimalista como a Printstream, mas temática como a Kill Confirmed. O preto e branco cria elegância, mas as presas e o destino infernal adicionam peso.
Supremat entendeu algo que poucos designers capturam: o terror pode ser burocrático.
Não são apenas monstros com garras e dentes que assustam. Às vezes é um formulário preenchido. Um código de barras escaneado. Um bilhete carimbado. A confirmação de que seu destino foi processado, arquivado, e não há recurso disponível.
A USP-S Ticket to Hell transforma cada disparo em carimbo de embarque. O QR code funcional é a cereja do bolo — prova de que até o caminho para o inferno pode ser rastreável, verificável, oficial.
Dos 15.000 designs submetidos ao concurso Dreams and Nightmares, apenas 17 ganharam passagem para o jogo. A Ticket to Hell foi uma delas. O designer recebeu 100 mil dólares. Os jogadores receberam uma arma que parece ter saído de um escritório de processamento de almas.
"Designer death." Morte com design. A documentação está em ordem. Próximo.
