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Nas florestas tropicais da África Central, uma serpente espera. Enrolada em galhos a dois metros do chão, sua cauda preênsil a mantém suspensa enquanto os olhos elípticos rastreiam qualquer movimento. Quando ataca, não há aviso. As víboras do gênero Atheris são conhecidas por algo raro no mundo animal: beleza letal. Suas escamas quilhadas formam padrões que parecem obras de arte, em tons de verde, azul e amarelo. E seu veneno? Hemotóxico. Causa hemorragias internas severas. Não existe antídoto específico.
Em 13 de março de 2019, essa mesma beleza perigosa chegou ao Counter-Strike.
O nome não é uma invenção. Atheris é o gênero científico que agrupa aproximadamente 18 espécies de víboras arborícolas encontradas exclusivamente na África subsaariana. A etimologia vem do grego "ather", que significa "espiga de grão" ou "ponta" — uma referência às escamas extremamente quilhadas que dão a essas serpentes sua aparência característica.
A espécie mais famosa do gênero é a Atheris hispida, conhecida como "hairy bush viper" ou víbora-arbusto-peluda. Suas escamas são tão proeminentes que parecem pelos ou espinhos, dando ao animal uma aparência quase irreal. É frequentemente citada como uma das serpentes mais belas do mundo. E também uma das mais perigosas: seu veneno é fortemente neurotóxico, e não existe antiveneno comercialmente disponível.
Outra espécie notável é a Atheris squamigera, a víbora-arbusto-variável. Seu nome reflete a incrível variedade de colorações possíveis: verde, vermelho, amarelo, azul, preto, laranja, ou qualquer combinação dessas cores. Duas serpentes da mesma ninhada podem parecer espécies completamente diferentes.
| Espécie | Nome Popular | Característica Distintiva |
|---|---|---|
| A. hispida | Víbora-arbusto-peluda | Escamas extremamente quilhadas |
| A. squamigera | Víbora-arbusto-variável | Coloração altamente variável |
| A. ceratophora | Víbora-cornuda | Escamas modificadas sobre os olhos |
| A. chlorechis | Víbora-arbusto-verde | Coloração predominantemente verde |
Todas compartilham uma característica crucial: a cauda preênsil. Como macacos, essas víboras podem se pendurar em galhos usando apenas a cauda, liberando o corpo para o bote. São predadoras de emboscada que podem ficar imóveis por horas, esperando que um roedor, pássaro ou lagarto passe ao alcance.
A AWP Atheris foi criada por Graff, um designer da comunidade Steam que viria a se tornar um dos nomes mais reconhecidos do Workshop. O design mostra uma víbora em tons de azul-esverdeado pintada à mão sobre uma base preta, capturando a essência das Atheris reais: cores vibrantes contra a escuridão da floresta.
A skin foi submetida ao Workshop em 29 de outubro de 2018 e aceita pela Valve poucos meses depois. Ela chegou ao jogo como parte da Prisma Case, lançada na atualização "Seeing the Light" em 13 de março de 2019.
O que diferencia a Atheris de outras skins de serpente é a fidelidade científica. Graff não criou uma cobra genérica — ele capturou a postura, as proporções e o padrão de coloração específicos das víboras-arbusto africanas. Os olhos da serpente no design são elípticos, como os de víboras reais. O corpo se enrola de forma naturalista ao redor da arma. E a escolha de cores reflete a variação real encontrada em espécies como A. squamigera.
Anos depois, Graff criaria outra skin icônica: a Glock-18 Block-18, uma homenagem aos blocos de montar que foi incluída na Kilowatt Case em fevereiro de 2024. A versatilidade do designer — de víboras realistas a brinquedos de infância — demonstra sua capacidade de capturar estéticas completamente diferentes com igual maestria.
A Prisma Case foi a primeira caixa lançada após quase seis meses sem novos cases no jogo. A espera valeu a pena: a coleção trouxe 17 skins da comunidade, incluindo a aclamada M4A4 The Emperor, a AUG Momentum e a própria AWP Atheris.
O nome "Prisma" reflete a variedade cromática do case: cada skin explora uma paleta diferente, criando um arco-íris de opções. A Atheris contribui com seus azuis e verdes vibrantes, um contraste direto com os tons mais quentes de outras skins da mesma coleção.
A Prisma Case também marcou um momento importante na história do CS:GO. Lançada em 2019, ela veio durante um período de transição, quando a Valve começava a experimentar com novos formatos e mecânicas que eventualmente evoluiriam para o Counter-Strike 2.
Uma característica única da AWP Atheris é seu range de float: de 0.00 a 1.00, permitindo que ela exista em todos os estados de desgaste, de Factory New a Battle-Scarred. Essa amplitude criou uma dinâmica interessante no mercado.
Em floats extremamente altos — acima de 0.95 — algo curioso acontece. A pintura desgasta de forma que a serpente colorida praticamente desaparece, deixando a arma predominantemente preta com apenas traços do design original. A comunidade batizou essa variante de "Blacktheris".
A versão mais extrema já registrada tem float de 0.99994432926177978516 — quase impossível de ser mais desgastada. Nesse estado, a skin é essencialmente uma AWP preta com fragmentos verdes e azuis, como se a víbora estivesse emergindo das sombras. A estética é o oposto do que a maioria busca em skins, mas para um nicho de colecionadores, representa exatamente o que procuram.
| Float Range | Aparência | Demanda |
|---|---|---|
| 0.00 - 0.07 | Factory New, cores vibrantes | Alta |
| 0.07 - 0.15 | Minimal Wear, leve desgaste | Alta |
| 0.15 - 0.38 | Field-Tested, marcas visíveis | Média |
| 0.38 - 0.45 | Well-Worn, desgaste significativo | Baixa |
| 0.45 - 0.90 | Battle-Scarred padrão | Baixa |
| 0.90 - 0.95 | Semi-Blacktheris | Nicho |
| 0.95+ | True Blacktheris | Colecionadores |
O fenômeno é semelhante ao Blackiimov da AWP Asiimov, onde floats extremamente altos revelam o metal preto sob a pintura. A diferença é que na Atheris, a transformação é mais gradual e artística: a serpente parece se dissolver nas trevas.
A AWP Atheris conquistou seu espaço nos inventários de jogadores profissionais. Entre os que já foram vistos usando a skin estão device, FalleN e snax — três dos awpers mais influentes da história do jogo. A lista continua com nomes como frozen, broky e torzsi, todos da FaZe Clan e MOUZ.
A popularidade no cenário profissional faz sentido. A Atheris oferece um visual distintivo a um custo acessível, permitindo que jogadores tenham uma AWP memorável sem o investimento de skins de maior raridade. E o tema — uma predadora paciente que aguarda o momento perfeito para atacar — ressoa com o estilo de jogo de qualquer awper competente.
A AWP Atheris é uma aula de design temático. Graff não apenas criou uma skin bonita; ele traduziu a essência de um gênero de serpentes para o mundo dos games. A escolha de cores, a postura do animal, até mesmo a textura das escamas — tudo reflete pesquisa e intencionalidade.
O flavor text resume tudo em cinco palavras: "As deadly as it is beautiful." É uma descrição perfeita tanto para as víboras africanas quanto para a arma que as homenageia.
Nas florestas tropicais da África, as Atheris continuam esperando em seus galhos, invisíveis até o momento do ataque. No Counter-Strike, milhões de jogadores empunham sua versão digital, igualmente pacientes, igualmente letais. A diferença é que no jogo, a presa tem como revidar.
