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Na antiguidade grega, soldados espartanos pintavam o rosto de Medusa em seus escudos. Não era decoração — era proteção. O Gorgoneion, como era chamada essa representação, funcionava como amuleto apotropaico: acreditava-se que a face da Górgona afastava o mal e petrificava inimigos antes mesmo do combate começar. Milênios depois, essa mesma criatura mitológica encontrou um novo escudo para habitar — uma AWP que transforma oponentes em estátuas de sal a cada headshot.
A AWP Medusa surgiu em 26 de maio de 2015, como peça central da The Gods and Monsters Collection, lançada junto com a Operation Bloodhound. A coleção, desenvolvida internamente pela Valve, homenageia a mitologia grega através de 14 skins que vão de deuses olímpicos a criaturas lendárias. Entre todas, a Medusa emergiu como a mais icônica — e a mais temida.
A história de Medusa é uma das mais trágicas da mitologia grega. Nas versões mais antigas, como a Teogonia de Hesíodo (por volta de 700 a.C.), ela era simplesmente um monstro — uma das três irmãs Górgonas, filhas de Fórcis e Ceto, divindades marinhas primordiais. Apenas Medusa era mortal; suas irmãs Esteno e Euríale eram imortais.
Mas foi o poeta romano Ovídio, em suas Metamorfoses, quem adicionou a dimensão trágica que ressoa até hoje. Segundo sua versão, Medusa era uma sacerdotisa de beleza extraordinária, especialmente admirada por seus cabelos. Poseidon, deus dos mares, a violentou no templo de Atena. A deusa, ultrajada pela profanação de seu santuário, puniu não o agressor — mas a vítima. Transformou os belos cabelos de Medusa em serpentes vivas e seu olhar em uma arma que petrificava qualquer um que a encarasse.
A injustiça da punição ecoa através dos séculos. Em interpretações modernas, Medusa tornou-se símbolo de vítimas culpabilizadas, seu rosto adotado por movimentos feministas como emblema de resistência. A skin carrega, talvez inadvertidamente, esse peso histórico.
Perseu, filho de Zeus e Dânae, recebeu uma missão suicida: trazer a cabeça de Medusa para o rei Polidectes, que desejava afastar o herói de sua mãe. Os deuses intervieram. Atena ofereceu seu escudo de bronze polido para servir de espelho. Hermes forneceu sandálias aladas e uma foice de adamantina. Hades emprestou seu elmo da invisibilidade.
Usando o reflexo no escudo para evitar o olhar petrificante, Perseu encontrou as Górgonas adormecidas. Com um único golpe da foice divina, decapitou Medusa. Do pescoço jorrou sangue — e desse sangue nasceram Pégaso, o cavalo alado, e Crisaor, um gigante com espada de ouro. Filhos de Poseidon, finalmente libertados.
A cabeça decapitada manteve seu poder mortal. Perseu a usou para petrificar inimigos antes de entregá-la a Atena, que a fixou em seu escudo — a égide. O Gorgoneion tornou-se então símbolo de proteção divina, aparecendo em escudos, templos e moedas por toda a Grécia antiga.
O corpo da AWP Medusa é pintado em tons de azul profundo, adornado com a imagem da Górgona em toda sua terrível glória. Serpentes entrelaçam-se onde deveria haver cabelo, seus olhos fixos em quem ousa empunhar a arma. A paleta de cores — azuis e verdes — evoca tanto o mar (domínio de Poseidon) quanto a natureza ctônica da criatura.
A descrição oficial é simples e precisa: "It has been custom painted with the image of a gorgon" (Foi pintada com a imagem de uma górgona). Não há flavor text elaborado. A Medusa não precisa de palavras — seu olhar fala por si.
O cano, a luneta e a parte traseira da coronha permanecem sem pintura, criando um contraste que direciona toda a atenção para o corpo central da arma, onde a face da Górgona domina.
Entre colecionadores, existe uma variante da Medusa que desafia a lógica convencional do mercado de skins. Normalmente, floats baixos (próximos de zero) são os mais valorizados. Mas a Medusa guarda um segredo: em floats altos, próximos ao máximo de 1.00, a pintura desenvolve uma pátina esverdeada que transforma completamente a aparência da skin.
Essa variante é conhecida como "Green Witch" (Bruxa Verde). Em vez dos azuis vibrantes das versões Factory New, a Battle-Scarred com float extremo apresenta tons predominantemente verdes, como se a Górgona emergisse das profundezas marinhas. A transformação é tão dramática que parece uma skin completamente diferente.
O fenômeno criou um nicho de colecionadores que buscam especificamente os floats mais altos — o oposto do comportamento normal do mercado. Uma Medusa Battle-Scarred com float acima de 0.90 pode comandar prêmios significativos entre conhecedores que apreciam a estética sombria da Bruxa Verde.
A The Gods and Monsters Collection representa uma das maiores homenagens à mitologia grega no universo dos games. Cada skin conta uma história diferente:
| Skin | Raridade | Referência Mitológica |
|---|---|---|
| AWP Medusa | Covert | A Górgona de cabelos de serpente |
| M4A4 Poseidon | Classified | Deus dos mares em batalha contra serpentes marinhas |
| M4A1-S Icarus Fell | Restricted | A queda do filho de Dédalo |
| G3SG1 Chronos | Restricted | O titã do tempo |
| MP9 Pandora's Box | Mil-Spec | A caixa que libertou todos os males |
| UMP-45 Minotaur's Labyrinth | Mil-Spec | O labirinto de Creta |
| AWP Sun in Leo | Mil-Spec | Constelação zodiacal |
| Tec-9 Hades | Industrial | Deus do submundo |
| Dual Berettas Moon in Libra | Industrial | Constelação zodiacal |
| MP7 Asterion | Consumer | Nome alternativo do Minotauro |
| AUG Daedalus | Consumer | O genial inventor, pai de Ícaro |
A presença de Dédalo e Ícaro na mesma coleção não é coincidência. Pai e filho, separados pela tragédia, reunidos eternamente no inventário de jogadores. A M4A1-S Icarus Fell retrata a queda — asas de cera derretendo sob o sol. A AUG Daedalus representa o gênio que sobreviveu para lamentar.
Da mesma forma, a conexão entre Medusa e Poseidon ganha nova dimensão quando jogadores equipam ambas. O M4A4 Poseidon mostra o deus dos mares em combate contra serpentes marinhas — um eco visual da história de violência e transformação que ligou o deus à Górgona.
Por quatro anos, de 2015 a 2019, a AWP Medusa reinou como a segunda AWP Covert mais valiosa do jogo, atrás apenas da lendária AWP Dragon Lore. As duas skins representavam abordagens opostas ao conceito de uma AWP premium: a Dragon Lore com seus dragões celtas e tons dourados, a Medusa com sua criatura grega e paleta azul-esverdeada.
A dinâmica mudou em 2019, quando a AWP Gungnir surgiu da The Norse Collection, trazendo a mitologia nórdica para a disputa. A lança de Odin adicionou uma terceira opção ao panteão de AWPs mitológicas. Mas a Medusa manteve seu status — não há como destronar uma Górgona facilmente.
A Operation Bloodhound terminou em setembro de 2015. A coleção retornou para as operações Wildfire (2016) e Hydra (2017). Desde a Operation Shattered Web, nenhuma nova Medusa entra em circulação através de drops. O supply está congelado. A demanda, não.
Com uma chance de drop estimada em apenas 0.64% dentro da coleção (raridade Covert), cada Medusa em existência representa uma confluência de sorte estatisticamente improvável. Diferentemente de skins que podem ser obtidas em caixas indefinidamente, a Medusa existe em quantidade finita desde 2017.
Não existem versões StatTrak. Não existem versões Souvenir. Cada Medusa no mercado veio de um drop de operação ou de trade entre jogadores. A pureza dessa escassez — sem variantes para diluir o pool — contribui para seu status.
Na Grécia antiga, o Gorgoneion aparecia em locais que demandavam proteção: portões de cidades, templos, escudos de guerreiros. A face de Medusa servia como advertência e defesa simultaneamente. "Não entre," dizia o rosto petrificante. "Ou enfrente as consequências."
A AWP Medusa funciona de maneira similar no CS2. Quando um oponente vê o rifle no killfeed — aquele flash de azul e serpentes antes da tela escurecer — a mensagem é clara. O jogador do outro lado não está brincando. Possui uma das skins mais raras do jogo. E acabou de provar que sabe usá-la.
Escudos espartanos com Gorgoneia foram encontrados em escavações arqueológicas, sua tinta ainda visível após milênios. Moedas gregas com a face de Medusa circularam por todo o Mediterrâneo. A imagem sobreviveu ao tempo porque carrega significado universal: proteção através do medo, poder através do olhar.
A AWP Medusa é o Gorgoneion do século XXI. Digital em vez de bronze. Pixels em vez de pigmentos. Mas a função permanece a mesma: afastar o mal. Neste caso, o mal usa Kevlar e tenta plantar a bomba no A.
Atena fixou a cabeça de Medusa em seu escudo como troféu e proteção. Milênios depois, jogadores de CS2 fazem o mesmo — equipam a Górgona em sua AWP como símbolo de status e ferramenta de destruição.
A tragédia de Medusa ressoa porque é fundamentalmente injusta. Uma vítima transformada em monstro. Uma beleza convertida em horror. Uma mortal entre imortais, condenada a uma existência de solidão até ser decapitada por um herói patrocinado pelos mesmos deuses que a amaldiçoaram.
Talvez seja apropriado que essa história encontre lar em uma sniper. A AWP também é uma ferramenta de transformação instantânea — de jogador vivo a espectador. Um clique, uma morte. Um olhar, uma estátua. A mecânica do jogo ecoa o mito.
Dos escudos de bronze aos servidores de matchmaking, o olhar de Medusa continua a petrificar. Os soldados espartanos pintavam seu rosto para inspirar terror. Os colecionadores de CS2 a equipam pelo mesmo motivo. E em algum lugar nas profundezas do Tártaro, a Górgona original talvez encontre uma ironia sombria no fato de que, milênios após sua morte, seu rosto ainda faz inimigos tremerem.