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Quando a Valve adicionou a AWP Mortis ao jogo em 14 de fevereiro de 2018, poucos perceberam a ironia: uma skin sobre morte sendo lançada no Dia dos Namorados. Mas quem conhece o Tarô sabe que a carta da Morte raramente fala sobre o fim literal. Ela fala sobre transformação.
O nome original da skin no Steam Workshop era simplesmente "AWP | Death". A Valve optou por "Mortis" ao adicioná-la ao jogo, trocando o inglês direto pelo latim mais enigmático. "Mortis" é o genitivo de "mors", a palavra latina para morte. O mesmo radical que aparece em "rigor mortis" e em "memento mori". Uma escolha que preserva o significado enquanto adiciona uma camada de mistério.
O número XIII aparece no buttstock da AWP não por acaso. Na tradição do Tarô, a carta da Morte é a décima terceira do Major Arcana, um conjunto de 22 cartas que representam os grandes arquétipos da jornada humana.
A imagem clássica, imortalizada por Pamela Colman Smith no deck Rider-Waite de 1909, mostra um esqueleto vestido de armadura negra montado em um cavalo branco. Ele carrega uma bandeira preta com uma rosa branca de cinco pétalas. Aos seus pés, jazem figuras de todas as classes sociais: reis, bispos, plebeus. A morte não discrimina.
O cavalo branco simboliza pureza. A rosa branca, esperança e novos começos. As cinco pétalas representam mudança. O esqueleto usa a mesma armadura escura que simboliza invencibilidade. A mensagem é clara: a transformação vem para todos, inevitável e purificadora.
Na AWP Mortis, esses elementos aparecem reinterpretados. O cavalo esquelético ocupa o receiver, pintado contra um fundo xadrez. O Ceifador domina o buttstock, foice em mãos. O número XIII marca a posição. E a paleta roxa, preta e vermelha com detalhes dourados evoca o mistério do oculto.
A AWP Mortis nasceu de uma colaboração entre três artistas: 2Minds Studio, OniLolz e Zaphk. Juntos, eles criaram uma das coleções mais ambiciosas do Workshop: a série Tarô.
O 2Minds Studio é comandado por Luiza McAllister e Thiago Lehmann, dois brasileiros que se conheceram na escola mas só começaram a colaborar anos depois, online. Antes de entrar no mundo das skins, trabalhavam juntos em ilustrações, com Thiago desenhando e Luiza colorindo. Hoje, ambos fazem tudo.
A entrada no Workshop veio por sugestão de OniLolz e Zaphk, amigos que já experimentavam criar skins. O resultado foi a série Tarô, onde cada arma representa uma carta do Major Arcana. A primeira aceita pela Valve foi a AK-47 The Empress, que entrou no jogo em setembro de 2017 dentro da Spectrum 2 Case. A AWP Mortis veio cinco meses depois.
O padrão se estabeleceu: a Valve aceita aproximadamente uma skin da série por ano. Depois vieram a M4A4 The Emperor em 2019 e a MAG-7 Justice. No Workshop, a coleção completa inclui nove cartas, esperando sua vez.
A AWP Mortis usa o estilo "Gunsmith", uma combinação de patina e pintura customizada que permite detalhes mais elaborados. O design aproveita cada superfície da arma:
| Área | Elemento |
|---|---|
| Receiver | Cavalo esquelético em fundo xadrez |
| Buttstock | Ceifador com foice, número XIII, estrelas |
| Handguard | Padrão de costelas com detalhes dourados |
| Scope | Parcialmente não pintado, com elementos xadrez |
| Cano | Não pintado |
A escolha de deixar partes não pintadas é intencional. O metal exposto no scope e no cano cria contraste com as áreas elaboradas, além de revelar como o desgaste afeta a skin. Em estados mais altos de wear, a tinta do scope e do receiver superior descasca completamente, escurecendo a aparência geral.
O float varia de 0.00 a 0.64, permitindo que a skin exista em todos os estados de conservação. Mesmo em Factory New, pequenas abrasões já aparecem no scope e na parte superior do receiver. O design foi pensado para envelhecer.
A Clutch Case, que trouxe a AWP Mortis ao jogo, foi lançada no "Welcome to the Clutch" update de 14 de fevereiro de 2018. A caixa introduziu 17 skins da comunidade e, mais importante, a segunda geração de luvas, com 24 novas opções.
O timing do lançamento carrega uma ironia que poucos notaram. O Dia dos Namorados celebra amor e conexão. A carta da Morte fala sobre fins e transformações. Mas na filosofia do Tarô, não há contradição: todo novo amor exige o fim de uma versão anterior de nós mesmos. Todo relacionamento transforma quem éramos em quem nos tornamos.
O flavor text da skin captura essa ideia com precisão cirúrgica: "Every end is a new beginning." Cada fim é um novo começo. Não é sobre perder algo. É sobre abrir espaço para o que vem depois.
Entre as skins inspiradas no Tarô, a AWP Mortis ocupa uma posição interessante. Enquanto a AK-47 The Empress e a M4A4 The Emperor são Covert, a Mortis é Classified. Isso significa uma chance de drop de aproximadamente 3.2% na Clutch Case, mais alta que as irmãs vermelhas.
O resultado é uma skin que mantém o prestígio artístico da coleção enquanto permanece acessível. Com popularidade de 95% segundo métricas de mercado, a AWP Mortis é uma das skins mais populares do CS2. Jogadores profissionais como flusha, happy e azr já foram vistos com ela.
Para os criadores do 2Minds Studio, ver a skin ser usada em partidas profissionais e competitivas tem um significado especial. Luiza já declarou que a AWP é sua arma favorita para desenhar, por causa do espaço generoso e das superfícies planas que permitem ilustrações elaboradas. A Mortis é prova disso.
A AWP Mortis é uma lição de simbolismo disfarçada de skin. Seus criadores pegaram uma carta que assusta leigos do Tarô, a carta da Morte, e a traduziram em pixels sem perder o significado original.
Quem olha rápido vê um cavalo esquelético e um Ceifador. Quem olha com atenção vê a rosa branca prometendo renovação, o número XIII marcando transformação inevitável, e um design que envelhece graciosamente porque foi pensado para isso.
O nome mudou de "Death" para "Mortis". O latim substituiu o inglês. Mas a mensagem permaneceu intacta, gravada no flavor text que resume tudo o que a carta XIII tenta ensinar: "Every end is a new beginning."
Quando você equipa essa skin e entra em uma partida, não está carregando um símbolo de morte. Está carregando um lembrete de que toda derrota prepara uma vitória, todo round perdido é aprendizado, e todo fim de jogo é apenas o começo do próximo.